Referência prática para médicos e secretárias agilizarem o encaminhamento e autorização de guias.
Para facilitar a rotina do consultório e evitar pendências na autorização dos tratamentos de seus pacientes, preparamos este guia rápido com os códigos TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) atualizados para a Fisioterapia Ortopédica.
Abaixo, você encontra a tabela de referência e duas regras de ouro para o preenchimento correto das guias.
A Importância da Consulta Fisioterapêutica (Avaliação)
Antes de iniciar as sessões de reabilitação, é fundamental que o paciente passe por uma avaliação detalhada. A ANS prevê um código específico para este momento.
É nesta consulta que o fisioterapeuta realiza o diagnóstico funcional, traça o prognóstico e desenha todo o plano de tratamento e recuperação.
Dica: Ao encaminhar o paciente, inclua sempre o código de Consulta (50000144) junto com os códigos das sessões. Isso garante a cobertura da avaliação inicial necessária.
Tabela de Códigos TUSS
Aqui estão os códigos mais utilizados em nossa rotina de Traumato-Ortopedia:
Qual modelo utilizar: Série 50 ou Série 20?
Atualmente, o mercado de planos de saúde trabalha com dois modelos de autorização. Na nossa rotina clínica, observamos que cerca de 50% dos convênios já migraram para o modelo simplificado (Série 50), enquanto a outra metade mantém a exigência do detalhamento anatômico (Série 20).
Verifique qual é o padrão do convênio do paciente:
Modelo Simplificado (Série 50 - Por Sessão)
Este é o modelo mais moderno e fácil de preencher. O convênio autoriza o tratamento global por sessão, incluindo modalidades especiais quando cobertas pelo plano.
| Descrição Simplificada | Código TUSS | Quando utilizar |
| CONSULTA / AVALIAÇÃO | 50.00.014-4 | Deve constar no início de qualquer tratamento para análise do caso. |
| FISIOTERAPIA | 50.00.016-0 | Código global para reabilitação musculoesquelética. Cobre o atendimento independente da região do corpo. |
| HIDROTERAPIA | 50.00.083-7 | Fisioterapia aquática. |
| PILATES | 50.00.085-3 | Atendimento fisioterapêutico em pilates. |
Modelo Anatômico (Série 20 - Por Membro)
Muitos convênios ainda exigem a especificação exata da região tratada para liberar a guia. Se o plano do paciente não aceita os códigos acima (série 50), utilize a tabela detalhada abaixo:
| Descrição Simplificada | Código TUSS | Quando utilizar |
| CONSULTA / AVALIAÇÃO | 50.00.014-4 | Deve constar no início de qualquer tratamento para análise do caso. |
| UM MEMBRO | 20.10.348-4 | Patologia em apenas um membro (Ex: só joelho direito). |
| DOIS OU MAIS MEMBROS | 20.10.349-2 | Patologia em mais de um membro (Ex: ombro + punho, ou os dois joelhos). |
| UMA COLUNA | 20.10.350-6 | Patologia em um segmento (Ex: Apenas coluna lombar). |
| DUAS OU MAIS COLUNAS | 20.10.351-4 | Patologia em diferentes segmentos (Ex: Cervical + Lombar). |
| PÓS-OP (1 MEMBRO) | 20.10.366-2 | Recuperação pós-cirúrgica ou pós-imobilização de um membro. |
| PÓS-OP (2+ MEMBROS) | 20.10.367-0 | Recuperação pós-cirúrgica ou pós-imobilização de múltiplos membros. |
| PÓS OPERATÓRIO COLUNA | 20.10.353-0 | Recuperação funcional pós-operatória ou por imobilização da patologia vertebral. |
Regra de Ouro: Como preencher múltiplas regiões?
Uma dúvida comum ocorre quando o paciente precisa tratar duas regiões diferentes. A lógica da ANS não permite "somar" o mesmo código duas vezes, deve-se usar o código que contempla o grupo.
O Exemplo do Ombro e Punho: Se o paciente tem uma lesão no ombro e outra no punho, não se deve solicitar 2x o código de "Um Membro".
❌ Incorreto: 2x Código 20103484 (Um Membro).
✅ Correto: 1x Código 20103492 (Dois ou mais membros).
O código de "Dois ou mais membros" já foi criado especificamente para cobrir essa complexidade maior, garantindo que o paciente receba a atenção necessária para ambas as áreas na mesma sessão.
Entendendo a Anatomia da Guia: O que são "Membros"?
Para preencher a guia corretamente, é essencial saber como a ANS classifica as partes do corpo. Na fisioterapia, dividimos os membros em Superiores e Inferiores.
É importante destacar que as articulações que conectam os membros ao tronco (ombros e quadris) fazem parte da contagem de "Membros", e não da coluna.
Veja a classificação detalhada:
💪 Membros Superiores: Englobam toda a extensão do Ombro, Braço, Cotovelo, Antebraço, Punho e Mão (incluindo dedos).
🦵 Membros Inferiores: Englobam toda a extensão do Quadril, Coxa, Joelho, Perna, Tornozelo e Pé (incluindo dedos).
Ponto de Atenção: A Coluna Vertebral (Cervical, Dorsal, Lombar e Sacro) possui códigos próprios e exclusivos. Portanto, não deve ser contabilizada como "membro".
Exemplo: Dor na Lombar usa código de Coluna (20.10.350-6).
Exemplo: Dor no Quadril usa código de Membro (20.10.348-4).
Tudo na mesma guia: Simplifique a solicitação
Muitas vezes surge a dúvida se é necessário emitir guias separadas para cada região do corpo. A resposta é não. Para facilitar a autorização e reduzir a papelada, todos os códigos necessários para o tratamento do paciente podem, e devem, ser inseridos na mesma guia de solicitação (SADT).
Exemplo Prático: Imagine um paciente que necessita de reabilitação para ambos os joelhos e também para a coluna lombar. O pedido médico deve ser único, contendo as três linhas de procedimento abaixo:
- 50000144 (Consulta Ambulatorial - Avaliação)
- 20103492 (Dois ou mais membros - Ref. aos joelhos)
- 20103506 (Uma coluna - Ref. à lombar)
Dessa forma, a operadora de saúde entende a globalidade do tratamento, agilizando a liberação para o paciente e para a clínica.
Facilite sua rotina: Baixe a "Cola" dos Códigos Anatômicos
Como vimos, os códigos da Série 50 são simples. O desafio maior está nos convênios que exigem os códigos anatômicos (Série 20).
Para esses casos, preparamos um arquivo PDF exclusivo com as tabelas de membros e colunas. O material é formatado para impressão frente e verso e ideal para plastificar e deixar na recepção. Assim, sua equipe tem uma referência rápida sempre que precisar preencher as guias mais complexas.